Crítica de "500 Dias Com Ela"

publicado: quinta 17 dezembro 2009 por Rafael Sandim em: Generos Drama Festivais de Cinema Romance Críticas

Na sequência inicial de 500 Dias com Ela o narrador já explica: A história a ser contada não é de amor, e sim sobre amor. Com esta honestidade, acompanhamos a jornada de Tom, um jovem sem muitas ambições, protagonista de uma trama que, ao contrário da maioria das comédias românticas, tem uma conexão com o espectador. O longa é como se fosse destinado para aqueles que já sofreram uma desilusão amorosa.

A trama tem o intuito de deixar claro que não é um romance já visto em contos de fadas, mas sim um em que as pessoas fazem as outras sofrerem, são egoístas e o final nem sempre é feliz. Para dar vida ao roteiro de Scott Neudstadter e Michael H. Weber, mesmos responsáveis pelo assassinato cinematográfico A Pantera Cor-de-Rosa 2, temos Tom, o típico sujeito que tem a narrativa em primeira pessoa e cria o elo direto com o espectador.

Para ficar mais claro quem são os personagens, o narrador explica muito bem e até de forma poética algumas das atitudes deles; como na cena em que é revelado a maior paixão de Summer e a opção da moça em não se apegar a nada. Sendo assim, Tom, o romântico, conhece Summer, a fria. Os dois se envolvem e cada um acaba enxergando de forma diferente a relação. Se por um lado Tom está apaixonado, mesmo que Summer o tenha avisado que não queria nada sério, ela muda de ideia várias vezes e deixa claro o quanto é imatura emocionalmente. A única forma que ele encontra para se recuperar da decepção é voltar aos 500 dias com ela e tentar descobrir o que deu errado.

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Para conseguir esquecer sua amada, Tom conta com a ajuda de seus amigos, que sempre critica, e de sua irmã mais nova, personagem mal construída que dá conselhos maduros sendo que não tem experiência de vida para entender o dilema de seu irmão. Após este erro que tira parte da lógica do longa, outras cenas atrapalham a narrativa, como o momento em que um personagem se rebela em uma reunião na empresa. Mesmo assim, existem muito mais acertos do que erros no filme.

Sem errar na mão ao transitar entre o passado e presente, os 500 dias são relatados de forma interessante e bem amarrada, como na cena em que Tom dança na rua e logo após aparece um momento em que ele está extremamente decepcionado. Não há como negar o quanto é interessante a sequência expectativa/realidade, em que, sem piedade alguma, o roteiro judia do protagonista e comove a todos aqueles que já viveram situação parecida.

O que não pode deixar de ser comentado é o trabalho excepcional de Joseph Gordon-Levitt. O ator conseguiu papéis de destaque recentemente e sempre aparece com uma boa atuação. Em contrapartida temos Zooey Deschanel, que desde 1998, quando começou atuar, não conseguiu ter um bom desempenho. A atriz sempre aparece com falta de ânimo e interesse nas produções, fica a impressão que ela está com preguiça ou é bastante inexpressiva. Porém, o que acontecem em 500 Dias com Ela ajuda atrizes como ela. Summer Thin é fria e nada melhor que uma atriz sem expressão para encarná-la, assim como o acerto na escolha de Keanu Reeves para um alienígena em O Dia em Que a Terra Parou.

Mesmo que Hollywood já tenha produzido tramas como esta, um exemplo que veio em minha mente agora é Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, clássico de Woody Allen lançado em 1977, o trabalho de Marc Webb conta com estilo próprio e faz jus a toda repercussão que gerou. Após ser aplaudido no Festival de Sundance, o romance dramático foi indicado a vários prêmios e, com certeza, merece ser lembrado por ter a coragem de inovar e ir contra as mil e umas produções clichês que foram lançadas nos últimos tempos.

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